Um novo grupo de variantes da Covid-19, tecnicamente apelidado de ‘FLiRT’, está gerando um alerta renovado entre as autoridades de saúde globais. Dentre essas novas cepas, a KP.2 tem demonstrado uma capacidade de disseminação notável, tornando-se a linhagem dominante do coronavírus nos Estados Unidos, onde já é responsável por aproximadamente um em cada quatro casos de infecção, superando a variante JN.1, que prevalecia anteriormente.
Originárias da linhagem JN.1, que por sua vez é uma descendente da Ômicron, as variantes do grupo FLiRT carregam mutações genéticas específicas que lhes conferem uma vantagem evolutiva. O curioso nome ‘FLiRT’ é uma designação técnica para um conjunto de mutações na proteína spike do vírus, incluindo as alterações F456L e R346T, que facilitam a sua capacidade de escapar da imunidade previamente adquirida, seja por meio de infecções anteriores ou pela vacinação. Segundo especialistas, essas alterações tornam o vírus mais ‘escorregadio’ para o sistema imunológico.
Dr. William Schaffner, um renomado especialista em doenças infecciosas da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, descreveu as novas cepas como ‘primas em primeiro grau’ da JN.1. Embora intimamente relacionadas, elas demonstram ser ligeiramente mais transmissíveis. Apesar dessa maior contagiosidade, não há, até o momento, qualquer evidência que sugira que as variantes FLiRT causem doenças mais graves do que suas predecessoras.
Os sintomas associados à infecção pelas variantes do grupo FLiRT permanecem consistentes com os de outras cepas da Covid-19. A população deve estar atenta a sinais como dor de garganta, tosse persistente, fadiga, congestão nasal, coriza, dor de cabeça, dores musculares e, em alguns casos, febre ou perda de paladar e olfato. A semelhança dos sintomas reforça a importância da testagem para um diagnóstico preciso.
No que diz respeito à proteção, as vacinas atuais, que foram desenvolvidas para combater a variante XBB, ainda oferecem uma camada crucial de defesa, especialmente contra o desenvolvimento de quadros graves, hospitalizações e mortes. Contudo, sua eficácia para prevenir a infecção pelas cepas FLiRT é considerada reduzida. A boa notícia é que uma atualização das vacinas está prevista para o segundo semestre no hemisfério norte. A expectativa é que os novos imunizantes sejam direcionados para a linhagem JN.1, o que proporcionaria uma cobertura mais robusta e eficaz contra suas descendentes, incluindo a KP.2. Enquanto isso, as medidas de prevenção já conhecidas, como o uso de máscaras em ambientes fechados e por populações vulneráveis, além da higienização constante das mãos, continuam sendo ferramentas essenciais para mitigar a propagação do vírus.