O mercado financeiro brasileiro vivenciou um dia de forte instabilidade nesta terça-feira, culminando com a moeda norte-americana atingindo seu patamar mais elevado em mais de um ano. O dólar comercial encerrou o pregão com uma expressiva valorização de 1,25%, cotado a R$ 5,3267. Este é o maior valor de fechamento registrado desde o dia 5 de janeiro de 2023, quando a moeda havia alcançado R$ 5,3529. Com este desempenho, a divisa acumula uma alta de 9,75% apenas em 2024, refletindo um cenário de crescentes incertezas tanto no âmbito internacional quanto no doméstico.
A pressão externa continua sendo um dos principais vetores para a valorização do dólar em escala global. Investidores ao redor do mundo reavaliam suas expectativas quanto ao início do ciclo de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Dados recentes da economia norte-americana, mais robustos do que o esperado, alimentam temores de que a inflação possa ser mais persistente, o que levaria o Fed a manter suas taxas de juros elevadas por um período mais prolongado. Juros mais altos nos EUA tornam os títulos do Tesouro americano mais atraentes, incentivando a migração de capitais de mercados emergentes, como o Brasil, para a maior economia do mundo. Esse movimento de ‘fuga para a qualidade’ aumenta a procura por dólares e, consequentemente, fortalece a moeda.
No cenário interno, as preocupações com a trajetória das contas públicas do Brasil adicionaram uma camada extra de pressão sobre o câmbio. Ruídos recentes sobre uma possível alteração na meta fiscal para 2025 geraram desconforto no mercado. Declarações de membros da equipe econômica, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, sobre a necessidade de revisão das despesas e do arcabouço fiscal, foram interpretadas como um sinal de que o governo pode adotar uma postura menos rígida em relação ao controle do gasto público. Essa percepção de maior risco fiscal afasta investidores e enfraquece a confiança na moeda brasileira, o Real.
Reflexo direto dessa aversão ao risco, o principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, também sentiu o impacto negativo. O índice encerrou o dia em queda de 0,75%, aos 127.137 pontos. A combinação da incerteza fiscal doméstica com o ambiente externo desfavorável para ativos de risco pesou sobre as ações das empresas brasileiras, espelhando o pessimismo que dominou os negócios nesta terça-feira.