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Dólar dispara e atinge R$ 5,35, maior cotação em 17 meses, em meio a temores fiscais e cenário externo

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O mercado financeiro brasileiro vivenciou um dia de forte instabilidade e aversão ao risco nesta terça-feira, culminando em uma expressiva valorização do dólar e uma nova queda no principal índice da bolsa de valores. A moeda norte-americana encerrou o pregão com uma alta significativa de 0,86%, sendo cotada a R$ 5,3565 na venda. Este é o patamar mais elevado registrado para a divisa desde 4 de janeiro de 2023, quando havia sido negociada a R$ 5,45, marcando, portanto, o maior valor em aproximadamente 17 meses.

A escalada do dólar não é um evento isolado deste pregão. Ao longo do mês de junho, a moeda já acumula uma valorização de 1,95%. No balanço geral de 2024, a alta é ainda mais robusta, chegando a 10,36%, o que reflete um ambiente de crescente incerteza tanto no plano doméstico quanto no internacional.

Enquanto isso, a bolsa de valores de São Paulo, a B3, seguiu a tendência negativa. O Ibovespa, seu índice de referência, fechou o dia com um recuo de 0,28%, atingindo os 121.295 pontos. Com este resultado, o índice aprofunda suas perdas no mês para 0,73% e, no acumulado do ano, a queda já alcança 9,61%, sinalizando um período desafiador para os investidores de renda variável.

A performance negativa dos ativos brasileiros foi impulsionada por uma combinação de fatores. No cenário externo, o dólar ganhou força em escala global após a divulgação de dados robustos sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, o chamado ‘payroll’. Números de emprego mais fortes que o esperado diminuem as apostas de que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, possa iniciar um ciclo de cortes nas taxas de juros em breve. Juros mais altos nos EUA tornam os títulos do tesouro americano mais atrativos, atraindo capital de outros mercados e, consequentemente, valorizando o dólar.

Contudo, o principal vetor da pressão sobre o câmbio nesta terça-feira foi o cenário doméstico, marcado por crescentes preocupações com a trajetória das contas públicas. Investidores e analistas repercutiram negativamente a percepção de um enfraquecimento político do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Esse sentimento gera dúvidas sobre a capacidade do governo em avançar com a agenda de ajuste fiscal e controlar a expansão dos gastos.

Em meio a esses ruídos, Haddad afirmou que a equipe econômica está intensificando os trabalhos de revisão de despesas para garantir o cumprimento das metas fiscais. O ministro declarou que o objetivo é demonstrar o compromisso do governo com o equilíbrio orçamentário e uma trajetória sustentável para a dívida pública. Apesar das declarações, o mercado reagiu com ceticismo, o que se refletiu na demanda por dólar como um ativo de proteção. A devolução parcial da Medida Provisória que limitava o uso de créditos de PIS/Cofins pelo Congresso também contribuiu para o pessimismo, aumentando a incerteza sobre as fontes de receita do governo para fechar as contas.