Após um período de alívio no mês de agosto, o custo de vida para os moradores de Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, voltou a subir. Um levantamento detalhado revelou que a Cesta Básica de Alimentos (CBA) na cidade apresentou um aumento de 1,40% durante o mês de setembro, elevando seu valor total para R$ 564,08. Esses dados, essenciais para a compreensão da economia local, foram divulgados pelo projeto de extensão “Conhecendo a Economia Cruzalmense”, uma iniciativa coordenada pelo Professor Dr. Rudival Alves da Silva, do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
A análise minuciosa dos doze produtos que compõem a cesta básica mostra um cenário de preços misto. Enquanto sete itens registraram queda em seus valores, outros cinco tiveram aumentos expressivos, sendo os principais responsáveis pela elevação do custo geral. O grande vilão do mês para o bolso do consumidor foi o tomate, que disparou com um aumento de 28,91%. Logo em seguida, vieram o açúcar (11,08%), o arroz (7,25%), o café em pó (7,20%) e a banana (0,64%), que também contribuíram para encarecer a feira do mês.
Por outro lado, houve boas notícias para os consumidores em outros produtos essenciais. O feijão, item fundamental na mesa dos brasileiros, liderou as quedas com uma redução de 7,53%. Outros alimentos que ficaram mais baratos foram o leite (-3,48%), a farinha de mandioca (-2,39%), o óleo de soja (-1,77%), a manteiga (-1,08%), o pão francês (-0,88%) e a carne bovina (-0,46%).
O impacto direto desse valor no orçamento do trabalhador é significativo. O custo de R$ 564,08 para a cesta básica representa 49,92% do salário mínimo líquido, que é de R$ 1.130,00 após os descontos previdenciários. De acordo com a metodologia do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), para adquirir os produtos da cesta, um trabalhador remunerado com o piso nacional precisaria dedicar 101 horas e 23 minutos de sua jornada de trabalho mensal.
Quando comparado a outras cidades baianas, o custo em Cruz das Almas se mostra competitivo. Em Salvador, a mesma cesta custava R$ 612,35; em Feira de Santana, R$ 577,85; em Ilhéus, R$ 564,84; em Itabuna, R$ 553,86; e em Santo Antônio de Jesus, R$ 579,91. Isso posiciona Cruz das Almas como uma das cidades com o custo mais baixo entre as pesquisadas.
Projetando o cenário para uma família padrão de quatro pessoas, o estudo aponta que o gasto mensal com alimentação básica chegaria a R$ 1.692,24. Com base nesse dado, o valor do salário mínimo necessário para atender às despesas de uma família, conforme previsto na Constituição, deveria ser de R$ 5.650,00, um montante 4,28 vezes superior ao salário mínimo vigente de R$ 1.320,00.