Um preocupante alerta de saúde pública foi emitido no estado de São Paulo. Dados recentes divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde revelam que o número de casos de coqueluche registrados apenas nos primeiros cinco meses de 2024 já ultrapassou o total de notificações de todo o ano de 2023. Até o momento, foram confirmados 139 casos da doença, um número que acende um sinal vermelho para as autoridades sanitárias e para a população.
Para se ter uma dimensão da gravidade do aumento, durante os doze meses do ano passado, o estado havia contabilizado 121 casos. O número atual, portanto, já representa um crescimento de quase 15% em menos da metade do tempo. Especialistas apontam que um dos principais fatores por trás dessa escalada é a queda na cobertura vacinal, um fenômeno que tem sido observado nos últimos anos e que cria um ambiente propício para o ressurgimento de doenças previamente controladas.
A coqueluche, também conhecida popularmente como ‘tosse comprida’, é uma infecção respiratória aguda e altamente contagiosa, causada pela bactéria Bordetella pertussis. A doença é particularmente perigosa para bebês com menos de um ano de idade, que podem desenvolver quadros graves, com complicações como pneumonia, convulsões e até mesmo risco de morte.
Os sintomas iniciais da coqueluche podem ser facilmente confundidos com os de um resfriado comum, incluindo mal-estar, coriza e uma tosse leve. No entanto, com o passar dos dias, a tosse se intensifica, evoluindo para crises severas e incontroláveis, que frequentemente terminam com um som agudo de ‘guincho’ durante a inspiração, uma característica marcante da doença. Essas crises podem ser tão intensas a ponto de causar vômitos ou extremo cansaço na pessoa acometida.
A principal e mais eficaz forma de prevenção contra a coqueluche é a vacinação, que é oferecida de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema vacinal primário para crianças é feito com a vacina pentavalente, aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida. Além disso, são necessárias duas doses de reforço com a vacina DTP (tríplice bacteriana), a primeira aos 15 meses e a segunda aos 4 anos de idade. A imunização de gestantes também é uma estratégia crucial, pois garante a transferência de anticorpos para o bebê, protegendo-o nos primeiros e mais vulneráveis meses de vida. Diante do cenário atual, as autoridades de saúde reforçam o apelo para que pais e responsáveis verifiquem a caderneta de vacinação de suas crianças e para que a população em geral mantenha a imunização em dia.