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Revolução no Diagnóstico do Alzheimer: Brasil recebe exame de sangue capaz de prever a doença com anos de antecedência

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Uma nova era no diagnóstico da doença de Alzheimer tem início no Brasil com a chegada de uma tecnologia revolucionária. Trata-se de um inovador exame de sangue, denominado PrecivityAD2, que promete transformar radicalmente a forma como a condição é identificada, oferecendo a possibilidade de detecção até 15 anos antes do surgimento dos primeiros sintomas clínicos. A novidade, já disponível em território nacional, representa um marco significativo na medicina diagnóstica e uma grande esperança para milhões de famílias que convivem com o desafio da doença.

Até o momento, a confirmação do diagnóstico de Alzheimer dependia de métodos complexos, caros e, por vezes, invasivos. Exames como o PET-Scan, que possuem um custo elevado e disponibilidade restrita no país, e a punção lombar, um procedimento invasivo para a coleta do líquido cefalorraquidiano, eram as principais ferramentas. O novo teste sanguíneo surge como uma alternativa muito mais simples e acessível. Desenvolvido com tecnologia de espectrometria de massa, o exame analisa a presença de biomarcadores cruciais no sangue: a proporção entre as proteínas beta-amiloide 42 e 40, e a presença de uma forma específica da proteína tau (p-tau217). Uma baixa proporção de beta-amiloide, associada à detecção da p-tau, indica com alta precisão a existência de placas amiloides no cérebro, a principal característica patológica do Alzheimer.

Segundo especialistas, a acurácia do novo exame é notável, atingindo 96% de concordância quando comparada aos resultados do PET-Scan, considerado o padrão-ouro. A iniciativa de trazer o teste para o Brasil é do grupo de medicina diagnóstica Dasa, que inicialmente oferecerá a coleta em unidades de São Paulo e Rio de Janeiro, com planos de expansão futura. O custo para a realização do exame é de R$ 3.600, e, por enquanto, ele não está incluído no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sendo custeado de forma particular.

É fundamental ressaltar que o exame não se destina a um rastreamento em massa da população geral. A recomendação médica é direcionada para indivíduos com mais de 60 anos que já apresentem queixas cognitivas, como perda de memória e confusão, ou que possuam um forte histórico familiar da doença. Segundo Gustavo Suwwan, patologista e diretor médico de análises clínicas da Dasa, o teste funciona como uma poderosa ferramenta de triagem para auxiliar o médico no diagnóstico diferencial, ou seja, para confirmar ou descartar o Alzheimer frente a outras possíveis causas para os sintomas cognitivos.

A chegada deste exame ocorre em um momento estratégico, alinhado ao avanço de novas terapias para o Alzheimer, como os medicamentos lecanemabe e donanemabe. Essas drogas, que atuam para retardar a progressão da doença, demonstram maior eficácia quando administradas em estágios iniciais. Portanto, um diagnóstico precoce e preciso, como o possibilitado pelo novo exame de sangue, torna-se essencial para que os pacientes possam se beneficiar plenamente dos tratamentos futuros, permitindo intervenções mais ágeis e a implementação de mudanças no estilo de vida que podem ajudar a preservar a função cognitiva por mais tempo.