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Mercado financeiro reage a incertezas fiscais e cenário externo: Dólar atinge R$ 5,36 e Bolsa de Valores registra forte queda

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O mercado financeiro brasileiro vivenciou um dia de acentuada instabilidade e pessimismo nesta quarta-feira, refletindo uma combinação de preocupações domésticas e um ambiente externo mais desafiador. Os principais indicadores econômicos do país fecharam o dia no vermelho, com o dólar atingindo seu maior valor em mais de um ano e a bolsa de valores amargando perdas expressivas.

A moeda norte-americana encerrou o pregão com uma significativa valorização de 0,86%, sendo cotada a R$ 5,3674 na venda. Esse resultado marca o maior patamar de fechamento para o dólar desde 4 de janeiro de 2023, evidenciando uma forte busca por segurança por parte dos investidores, que se desfazem de ativos considerados de maior risco, como o real brasileiro.

No mercado de ações, o cenário não foi diferente. O Ibovespa, principal índice da B3, a bolsa de valores do Brasil, despencou 1,40%, encerrando o dia aos 121.635 pontos. A queda reflete a desconfiança generalizada que tomou conta do pregão, impactando negativamente a maioria dos papéis negociados.

Internamente, o principal fator de estresse foi o crescente ruído em torno da política fiscal do governo. Declarações da Ministra do Planejamento, Simone Tebet, que defendeu uma revisão ampla dos gastos públicos, foram interpretadas pelo mercado como um sinal de possíveis divergências dentro da equipe econômica. Embora o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha buscado acalmar os ânimos, a percepção de falta de um plano claro para o controle das contas públicas prevaleceu, aumentando a aversão ao risco.

No plano internacional, a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de manter sua taxa de juros e, principalmente, de revisar suas projeções para apenas um corte de juros em 2024, adicionou mais pressão. Juros mais altos na maior economia do mundo tendem a atrair capital de mercados emergentes, como o Brasil, o que naturalmente fortalece o dólar em relação a outras moedas. A decisão frustrou as expectativas de parte do mercado que ainda aguardava uma flexibilização monetária mais rápida nos EUA.

Como um termômetro dessa apreensão combinada, o chamado ‘risco-país’ do Brasil, medido pelo contrato de Credit Default Swap (CDS) de 5 anos, disparou, atingindo 176 pontos, o nível mais elevado desde novembro de 2022. Esse indicador sinaliza um aumento na percepção de risco dos investidores internacionais em relação à capacidade do Brasil de honrar suas dívidas, encarecendo o crédito e o financiamento para o país no exterior.