O Palmeiras, sob o comando do técnico Abel Ferreira, já carimbou seu passaporte para o aguardado novo formato do Mundial de Clubes da FIFA, que acontecerá em 2025 e contará com 32 equipes. A classificação do clube alviverde foi assegurada pelo título da Copa Libertadores da América conquistado em 2021. No entanto, mesmo com a presença confirmada, uma complexa teia de cenários relacionados à qualificação de seus rivais brasileiros coloca uma ‘pressão’ indireta sobre os ombros da equipe para buscar o tetracampeonato da América em 2024.
A Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) terá direito a seis vagas no torneio. Três delas são destinadas aos campeões da Libertadores de 2021 (Palmeiras), 2022 (Flamengo) e 2023. Outras duas vagas serão preenchidas pelos times mais bem posicionados no ranking da entidade, excluindo os já campeões. A última vaga será do campeão da Libertadores de 2024. O ponto crucial, contudo, é uma regra da FIFA que limita a dois o número de representantes por país, a não ser que mais de dois clubes de uma mesma nação conquistem o título continental durante o período de qualificação (2021-2024).
É exatamente neste regulamento que reside a fonte da ‘pressão’ palmeirense. Atualmente, com os títulos de Palmeiras e Flamengo, o Brasil já atingiu o limite de duas vagas. Se um time não-brasileiro, como o Boca Juniors, vencer a Libertadores de 2023, essa limitação será mantida. Nesse cenário, o único caminho para um terceiro clube brasileiro entrar no Mundial seria conquistando a Libertadores de 2024. Equipes como Atlético-MG e Athletico-PR, que estão bem posicionadas no ranking da CONMEBOL, seriam barradas da classificação por esta via.
Por outro lado, se um clube brasileiro (Fluminense ou Internacional) for o campeão de 2023, a regra do limite de dois países é quebrada. Com três campeões distintos do Brasil, o cenário se abriria para que mais dois times do país se classificassem através do ranking, podendo levar até cinco representantes brasileiros para o Mundial de 2025.
Para o Palmeiras, a questão é estratégica. A classificação de um maior número de rivais diretos para um torneio de tamanha visibilidade e premiação financeira representa um fortalecimento da concorrência em âmbito nacional e internacional. Portanto, a conquista da Libertadores em 2024 não significaria apenas mais um troféu para a vasta galeria do clube, mas também uma forma de ocupar uma das vagas em disputa, limitando o espaço para que outros adversários domésticos alcancem o mesmo patamar de prestígio e receita. A campanha na próxima edição da Libertadores, para o Verdão, terá o peso não só da glória, mas também da manutenção de sua hegemonia no cenário sul-americano.